Trata-se da viagem acadêmica propiciada aos alunos de oitavos anos,
tendo como foco a questão histórica e a oportunidade de verificar de
perto os reflexos de um passado glorioso na constituição do presente e
no aflorar de potencial turístico de determinadas regiões do país. Com
efeito, a VIAGEM ACADÊMICA A PETRÓPOLIS constitui uma oportunidade de
promover a expressão e formação cultural dos alunos, mediante contatos
com um meio externo que lhe permita desenvolver tais potencialidades, a
partir da observação participante.
Dando ressignificação aos
conteúdos largamente explorados nos livros de História e objeto de
trabalho aprofundado no currículo da série (previamente à viagem), os
alunos-viajantes são levados a conhecer a famosa cidade imperial e seus
museus, igrejas, casarios de época, transportando-se para uma época
impregnada de mitos, mas também determinante para um legado cultural
reconhecido internacionalmente. Ênfase é dada à visita ao Centro
Histórico, ex-sede da quinta que pertenceu à Família Imperial e originou
a cidade, por concentrar um rico patrimônio histórico e cultural,
representativo da arquitetura do século XIX e em bom estado de
conservação. Também faz parte do roteiro uma vista à Casa Santos Dumont,
que encanta os alunos por sua mistura de funcionalidade e irreverência.
Além
do contato com esse rico acervo arquitetônico, o que alcança maior
dimensão pela abordagem integrada de guias e professores especializados,
os alunos usufruem belíssimas paisagens naturais, visto que a cidade
fica no meio de uma das últimas reservas brasileiras de Mata Atlântica e
o acesso até ela permite uma vista privilegiada da imponente Serra dos
Órgãos; bem como um clima privilegiado, muito semelhante ao da Europa, o
que encantou a família imperial à primeira visita e continua atraindo
fluxos de visitantes até os tempos atuais.. Integrando-se à vida local,
desfrutam de um ritmo menos acelerado que o das grandes metrópoles, sem
perder de vista o acesso a ricas oportunidades em matéria de
entretenimento, gastronomia e culturalização, cujo ponto alto é
representado pelo Jogo de Luz e Sombras (com materialização de formas
humanas) no Museu Imperial, ao cair da noite.
Petrópolis conta
não só a história do Império, mas também a dos chamados "Anos Dourados".
Esse foco é trabalhado por ocasião da visita ao Hotel Quitandinha, que
nos anos quarenta foi palco dos famosos bailes, conduzidos por Dick
Farney, Lúcio Alves, os Quitandinha Serenaders e Os Cariocas, antes que o
Presidente da República Eurico Gaspar Dutra fechasse os cassinos.
Embora atualmente tenha um valor funcional (mediante locação de seus
aposentos), o Hotel Quitandinha mantém a aura da época e um cuidado com a
preservação que serve de referência para os alunos, permitindo-lhe
estabelecer comparações com outros patrimônios que já visitaram e que
sofrem com os efeitos da depredação natural e humana.
Paralelamente
a essas abordagens idealizadas, os alunos são expostos às diferenças
sociais visíveis na paisagem de Petrópolis e aos efeitos da exploração
desenfreada da construção civil em algumas áreas da cidade, o que tem
provocado desabamentos e devastações. Assim, o entorno é um aliado
indispensável na formação de repertório crítico dos alunos, de modo a
que se sintam incomodados com a realidade, sem deixar de usufruir
daquilo que nos proporciona de positivo, especialmente no caso de
Petrópolis, em que a cultura é um estímulo à convivência social e se
adota um estilo de vida que parece deixar alguns recantos da cidade
intactos à passagem do tempo.
Como de praxe nas demais viagens,
os alunos são instigados à demonstração acadêmica e afetiva, na forma de
diários de bordo, relatórios ou provas contextualizadas, o que atribui
idêntica importância à etapa da Pós-Viagem na culturalização dos alunos.
Em 2012, após algumas ofertas desta viagem não se concretizaram pela falta de
adesão dos alunos, o que nos parece ter sido motivado por outros interesses
da faixa etária (aniversários, viagens à Disney ou outras situações
específicas consideradas pelas famílias). Houve novamente a realização da viagem, com o grupo de 54 alunos. Mesmo assim, entendemos que vale uma
reflexão sobre as perdas pedagógicas e culturais decorrentes da não
realização de uma viagem dessa natureza, de maneira a se buscar sua continuidade.